Agradeço a “nota baixa”!!!


Quando cheia de alegria e entusiasmo resolvi tornar-me treinadora de cães, e ao ir fazer o curso de formação deparei-me com verdadeiras técnicas de tortura, deu-se início a um período de muita confusão interna em minha vida!!
Como nota de conclusão de curso eu tirei 6. Essa nota era o mínimo aceitável para passar na prova e estar formada. Por muito tempo senti vergonha da referida média, e quando lembrava o motivo, ainda mais ficava confusa.
Foi por recusar-me treinar o comando “FICA” com o cão que me fora disponibilizado para a formação, que ganhei a nota regular e muita frustração. Mas os problemas não findaram ai. Recusei-me a dar um tranco em uma alegre labrador de um ano, com o colar de ganchos. Como podia eu, apaixonada por cães, fincar-lhe ganchos no pescoço para ensinar o animal a estar junto a mim?
Passei dois dias sem olhar na cara do meu professor, sem saber o que fazer, mesmo estando hospedada na escola de treinamento dele. Lá também pude escutar histórias de “excelentes adestradores” que já chegaram a quebrar a traqueia de um aluno, ao ensinar referido comando. Aprendi a enforcar um cachorro sempre que ele não fazia o que eu queria, amparada em falta de conhecimento específico.
Mas qualquer treinador que tenha iniciado a carreira pelo método convencional/tradicional, vai possuir histórias semelhantes a minha.
Na época retornei para minha cidade, mas não treinei meu cão. Até tentei por várias vezes, mas desistia! Me perguntava: “Como pode uma adestradora de cães não ter o próprio cão adestrado?” 
O Nero sempre foi um verdadeiro cão travesso e alegre, e hoje agradeço muito o meu relapso em não tê-lo submetido a tais técnicas por completo. A nota que antes me deixava frustrada, hoje é motivo de ORGULHO PRÓPRIO!
O que eu sentia durante os treinos era uma mescla de culpa e raiva
Hoje sei que a culpa era decorrente da minha “boa essência” e a raiva, da minha falta de conhecimento sobre comportamento canino, conteúdo pouco ou nada ofertado nos cursos de formação tradicional.
Parei de treinar, abandonei a profissão e frustrada, fui dedicar-me a graduação de direito. Felizmente conheci um especialista em comportamento, o Diogo Cesar, que me indicou o blog de uma treinadora portuguesa, a Claudia Estanislau, que “iria mudar a minha vida”!!! Depois de conhecer o trabalho dela, e aprender com ele, o “sonho de menina” voltou, e abandonei a carreira jurídica para, enfim, seguir minha “Missão Pessoal”. Mas agora de forma positiva, amparado em ciência da aprendizagem e no respeito e amor aos cães. Aqui, você confere um artigo que fala sobre o treino positivo x o treino convencional. Vale Conferir!!

11 Comentários

  • Ms. Siebert
    Posted 17 de novembro de 2010 22:41 0Likes

    Manu, qto ao comando "fica", faço com os meus sem problemas… chamando em seguida e dando um petisco ou afago.

    qto à coleira de tortura, qdo o meu Jet era da antiga dona, ela chamou uma treinadora pra ME ensinar a andar com eles. Pra mim eles nao tinham problema nenhum, mas a dona queria q mudasse todo o comportamento dentro de casa com o nascimento dos gemeos e eu entrei de gaiato nessa, mesmo dizendo q eles andavam normal na coleira (salvo qdo viam outro cão – latiam, mas axo normal). Enfim, deram essas coleiras com ganchos. Eu chegava na casa da mulher colocava as coleiras, na esquina do quarteirao, virava a coleira ao contrario, os ganchos ficavam pra fora… achava o fim!! fora q o jet tem demodecica, com o pescoço bem peladinho, piorava mto!! uicheee nem gosto de lembrar, antes fosse meu a vida toda… era prozac, antiestaminico, coleiras de choque, coleiras com gancho, banhos em pets semanais, extração da glandula do anus… uma tortura sem fim!!!

  • Ana Corina
    Posted 17 de novembro de 2010 22:41 0Likes

    AMEI, entra no ar no blog dia 19 de manhã. Beijo.

  • Emmanuelle Moraes
    Posted 17 de novembro de 2010 22:45 0Likes

    Mari,
    existem várias formas de fazer o "comando Fica" de forma agradável e a que falou é uma delas. O importante é não seguir o que o método tradicional ensina, pois trata-se de tortura e maus-tratos. O Treino positivo, é um treino inteligente onde pode e deve-se criar soluções saudáveis e eficazes. Basta por a cabeça para pensar!!!
    🙂

  • Emmanuelle Moraes
    Posted 17 de novembro de 2010 22:45 0Likes

    Ana Corina,
    Obrigada!!!

  • Fran
    Posted 18 de novembro de 2010 22:53 0Likes

    que legal, to doida p te conhecer menina, kkkk até amanhã, bjossss

  • Caroline
    Posted 22 de novembro de 2010 20:53 0Likes

    Olá, Emmanuelle! Adorei sua reportagem, antes acreditava que o treino por "reforço Positivo" fosse o correto, mas amei o "treino positivo", e gostaria muito de conhecer mais e treinar com minha "Filhona". Eu sou de Curitiba – PR e não estou conseguindo encontrar um lugar que me ajude, se você souber poderia me indicar, ou até mesmo um livro, site, qualquer coisa já ajudaria! meu e-mail é: caroliqui@gmail.com
    Parabéns pela reportagem.
    Abraços!

  • Anônimo
    Posted 22 de novembro de 2010 20:53 0Likes

    que legal, to doida p te conhecer menina, até Sexta, kkkk bjosss

  • Emmanuelle Moraes
    Posted 16 de dezembro de 2010 18:22 0Likes

    Caroline, creio que ambas terminologias queiram dizer a mesma coisa. O importante é a filosofia e treino e o NÃO USO DE PUNIÇÕES!!!

  • Lúcia
    Posted 30 de abril de 2011 17:34 0Likes

    Emmanuelle, só uma curiosidade:
    Você é contra qualquer tipo de punição? Inclusive os time-outs (isolar o cão após mau comportamento)?
    No início o Boomer me desafiava muito, e deixá-lo isolado por 5 minutos num local seguro quando rosnou pra mim, por exemplo, ajudou bastante. Foi a única vez que ele fez isso. Não acho que seja tortura ou maus-tratos… acho importante mostrar pro cão que certos comportamentos não serão tolerados.

  • Emmanuelle Moraes
    Posted 30 de abril de 2011 21:24 0Likes

    Lúcia,

    Uso reforço positivo e castigo negativo (ausência de recompensa)
    Por exemplo, se um cão começa a latir para mim exigindo atenção ou se começa a me morder como brincadeira posso simplesmente sair da sala e deixá-lo lá isolado por uns 5 minutos até se acalmar e entender que referido comportamento resulta no meu afastamento e não na interação ou obtenção daquilo que reivindicava.
    🙂

  • Eliana Moser Adestradora de Porto Alegre
    Posted 26 de janeiro de 2012 21:46 0Likes

    Guria, guria, este teu texto tá o máximo! Olha só como o povo precisa dessa orientação, todos gostaram. Esta semana aconteceu uma coisa comigo que me deixou muito mal. Eu ia sozinha por uma calçada, área de muito movimento e com um cruzamento. Quando o sinal abriu para pedestres observei uma mulher atravessando com seu cão, na guia, ele tranquilo mas parecia meio distraído. Não aconteceu nada, só a visão de um ser humano levando outro ser por uma corda presa no pescoço deste. Tive vontade de sentar na calçada e ali ficar, derreada, filosofando sobre a vida. Foi uma experiência muito pessoal, acho que nem consigo passar o que vi/senti. Imagina quando puxam, soqueiam, enforcam, arrastam…

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