16 de mai de 2016

O seu cão pula em você e nas pessoas?


Caramba! Sei bem o quanto este comportamento é comum no dia a dia dos tutores de cães. E se você é mais um desses que são reféns dos saltos indesejados e de toda confusão que isso pode resultar, sugiro que leia o texto abaixo:

O seu cão pula em você e nas pessoas?

Se a resposta é sim, parabéns pelo seu treino! Este hábito é resultante do treinamento que ele recebeu de você, tutor, desde a primeira interação, quando filhote ou adotado e por todo o tempo em que convivem. Também é consequência daquilo que você não ensinou para ele, como exemplo: interagir sem saltar nas pessoas.

Mas se o objetivo não foi ensinar o teu cão a pular nas pessoas, então este texto será oportuno. Eu tenho muito para falar sobre o assunto e te ajudar nisto. Mas gosto de chamar as pessoas à responsabilidade pelos comportamentos de seus cães pois, acredito que só após assumirem o papel que possuem no desenvolvimento comportamental deles é que “a coisa anda”.

Já são mais de 13 anos ensinando pessoas a compreenderem e a se relacionarem melhor com seus cães. E, sei que quando a responsabilidade é assumida os objetivos podem ser alcançados.

Quando filhotes os cães costumam pular nas pessoas na hora de interagir. Normal até ai. Eles são pequenos, fofinhos e bem recebidos quando saltam nas pernas para interagir. Ocorre que, um dia eles crescem e as consequências dos saltos passam a crescer em força e resultados. Quando isto acontece, é comum que as pessoas passem a se incomodar com o comportamento que até pouquíssimo tempo atrás era aceito. Então, “do dia para a noite” os humanos envolvidos alteram as regras, deixando o filhote confuso e até frustrado.

Posso apostar que os filhotes pensam:

“Tudo isto é uma grande injustiça! Como assim, mudaram as regras de uma hora para a outra? Talvez eu precise pular ainda mais alto e mais forte para conseguir falar com eles” …

É certo que todo filhote vai crescer um dia. E mesmo que de raças pequenas, suas unhas ficarão mais firmes e seus saltos serão mais eficazes. E ainda, existem os de porte grande ou os pequenos mas fortes e pesados como os Buldogues, por exemplo.

Eu confesso, sem problema algum, que não gosto de cães me saltando. Não gosto porque me machucam, arranham as pernas, sujam e rasgam as roupas …

Trabalhando com cães há tanto tempo, não me faltam roxos nas pernas por conta disto. E já levei algumas cabeçadas, sendo que uma delas cortou a minha boca. Claro que, com o tempo fui ficando esperta, melhorando na esquiva. Mas o objetivo nunca foi me tornar habilidosa em desviar de “cabeçadas”, mas em ensinar as pessoas a treinarem seus cães para que tenham bons comportamentos. Então, vamos lá!

O primeiro passo
Você precisa ensinar o seu cão a sentar. Este é um comportamento mega básico e fácil de treinar. Ensine-o, pois iremos utilizar de agora em diante.

O segundo passo
Uma vez que o seu cão sabe sentar, peça para que sente antes de TODA e QUALQUER interação. Eu não errei a caixa das letras em maiúsculo!  Eu realmente quis dizer: TODA e QUALQUER INTERAÇÃO. Ressaltei para que não sobre uma sombra de dúvida nesta regra, certo?

Vou exemplificar para deixar ainda mais claro. Peça para o seu cão sentar antes de: falar com ele, dar carinho, entregar a comida, abrir a porta, atirar a bola, pegar o brinquedo, colocar a guia, entrar e sair do carro…

Se você conseguir os 04 primeiros exemplos já estarão muito perto do sucesso e os demais se tornarão mais fáceis. Se não conseguir será necessário procurar um profissional positivo para orientá-lo. Em outro momento, preciso esclarecer sobre o que o um treino positivo, bem como aquilo que não é. Mas é assunto para outro post. Não caiam em “barca furada”, submetendo o seu cão a um treinador que utiliza aversivos (enforcador, trancos, colar de choque, jatos de spray…) e nem que te oriente a ser o “líder da matilha”. Certo?

Ao chegar em casa
Quando chegar em casa nada de saudações com um cão que pula feito canguru. Entre, vá e vá banheiro se aliviar, lavar as mãos... Troque de roupa. Responda algumas mensagens no Whats app, beba água, e só fale com o ele quando já estiver se acalmado, sentado ou deitado, e com a respiração menos ofegante.
Isto pode levar, em média, 20 minutos nas primeiras vezes.

Com ele calmo, peça para sentar, e após isto, pode rolar no chão, fazer bagunça e qualquer coisa que tenha vontade, afinal, acaba de recompensar o comportamento desejado: estar calmo, sentado, e não agitado e pulando.

Esta costuma ser uma das partes iniciais mais complicadas para os pais e mães de cachorros conseguirem fazer, pois sentem-se culpados em não dar atenção. Mas tenha em mente que será por um tempo, e é necessário para modificar o comportamento indesejado e ensinar o que desejamos, beleza? O teu cão jamais vai deixar de te amar e ficar feliz quando te ver por estar agindo assim. Eu garanto!

Generalizando o comportamento com pessoas estranhas e visitas

Durante os passeios na rua ensine o seu cão a não ir interagir sem ser convidado. Os cães não devem abordar pessoas que apenas estão passando por eles. Nunca sabemos o quanto isto pode ser incômodo para os outros. Algumas possuem medo, ou apenas não estão interessadas em interagir. Devemos respeitar e ensinar isto aos nossos cães.

Mas quando as pessoas demonstrarem que querem interagir será a hora de treinar. Antes, peça para a pessoa esperar o cão sentar para só então se aproximar dele. Peça para que ele sente e recompense com petiscos continuamente por toda a interação até que a pessoa se afaste, indo embora. Agora, diga: Ok!, e convide-o a seguir com você pelo passeio.

Com o tempo, treinando como ensinei, os cães já irão sentar antes de falar com estranhos e se manterão assim por todo o tempo sem uso de petiscos. Basta fazer o treino de forma consistente e evoluir nos critérios gradualmente. Ah! Jamais utilizo enforcadores para passear ou treinar e muito menor dou trancos nos cães. Além de totalmente desnecessário, MACHUCA e é agressivo!

Já em casa com visitas, após ter sido treinado para interagir adequadamente com a própria família, é hora generalizar este comportamento. Inicialmente, é indicado receber as visitas com os cães presos em outro lugar da casa. Passado algum tempo, busque o cão. Mas apenas se ele não estiver chorando, arranhando a porta ou latindo. E traga-o para o ambiente com as pessoas que chegaram, na coleira e guia.

Mantenha-os na guia, vale oferecer algo para roerem como Kongs recheados, sentando-se um pouco distante de maneira a impedir que mesmo na guia ele alcance as pessoas, e pule.

Apenas quando ele estiver calmo se aproxime de maneira segura e peça para sentar. Somente quando o cão estiver sentado é que poderá chegar um pouco mais perto para receber carinho. Se ele se agitar, indique para parar e retire-o gentilmente pela guia para o local onde estava roendo o Kong. Repita quanta vezes for necessário. Só solte-o quando estiver seguro de que o cão não mais vai pular, e se necessário isole-o novamente para poder relaxar com os amigos. Muitos cães terão que ser expostos apenas presos à guia por diversas vezes antes de poderem ser soltos em meio as visitas.

Se este treino for feito de maneira gradual e consistente não vai demorar para alcançar o objetivo. Se sentir dificuldades, vale muito buscar orientação de um profissional qualificado, que utilize apenas metodologia positiva.

Bons treinos!

E se quiser que eu te ajude a educar o seu cão entre em contato para agendar uma Consultoria Comportamental à Distância.

Emmanuelle Moraes
​​Educadora canina especialista em comportamento e socialização de cães
Membro da The Association For Force Free Pet Professionals
Coordenadora Day Care Educativo Petcare Center, Floripa\SC.

Skype: emmanuelle.moraes
(48) 9994-8603 (Florianópolis/SC)





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