14 de jan de 2015

Ansiedade em cães e a importância de ensiná-los à esperar


Com frequência recebo alunos com queixas sobre o comportamento de seus cães. Em muito dos casos, elas se concentram na reatividade (com cães e pessoas), busca de atenção e excesso de dependência.

Entretanto, ao iniciar a avaliação do cão mediante estudo de seu histórico e observação do comportamento na sala de aula, constato que tratam-se de cães demasiadamente ansiosos. Essas pessoas quando chegam, em muitos casos, já possuem um porblema solidificamente instalado. Muitas, não percebem que o problema tem sua origem ali, na ansiedade, e se concentram em almejar que o cão se comporte bem no ambiente externo ou, que saiba lidar com os momentos em que precisam ficar sozinhos.

Costumo explicar através de uma analogia que, ao meu ver, facilita a compreensão do aluno, onde explico que: 

"para construir o telhado de uma casa antes precisamos construir uma sólida base, construir pilares que sustentarão todo o projeto"

O que isto quer dizer? 
Isto explica que, embora aos "olhos" do tutor o problema parece ser um, na verdade, ele possui a sua origem em outro ponto: na ansiedade.

Cães que não sabem esperar tranquilamente, cães que buscam atenção constante, cães que não sabem lidar com a ausência dos tutores, cães que não aceitam ficar isolados por uma porta do ambiente onde está a sua família, cães que fazem um verdadeiro "escândalo" quando chegam visitas ou os tutores retornam à casa, cães dependentes de colo em tempo integral, cães que latem e choram quando avistam outros cães na rua, cães que não conseguem esperar tranquilamente enquanto o tutor para por alguns minutos em um ponto durante o passeio, cães que latem ou choramingam durante o trajeto dentro do carro...

Eu poderia escrever algumas páginas sobre exemplos de comportamentos se desejasse elencar todos aqui. O que é fudamental que fique claro, é que não não se inicia a modelagem comportamental no ponto de conflito, muitas vezes visível para os tutores, mas sim, naquele "pilar de sustentação" que eu exemplefiquei acima, ou seja, vamos iniciar ensinando o indivíduo a: 

  • aprender a esperar a sua vez, 
  • aprender a ser independente, 
  • a ser menos ansioso e se tornar um cão equilibrado.

Para tornar as coisas mais claras, vou explicar como é o comportamento dos meus cães: se forem em minha casa encontrarão cães normais, felizes, muito dispostos a brincar e a treinar mas, por outro lado, cães altamente equilibrados, cães que sabem esperar, que sabem lidar com momentos em que, por algum motivo precisam estar à sós e, que em nenhum momento se parecem com "robôs pré-programados".

Meus cães são cachorros normais como acredito que todos devam ser. Ocorre que, eles são estimulados através de reforços (carinhos, atenção, acesso ao que desejam e alimentos\petiscos) a:
  • saberem esperar,
  • ficarem calmos quando isolados do grupo ou de mim,
  • serem independentes.
Atenção! Quando refiro a um cão ser independente, jamais quero dizer que ele irá deixar de desejar a presença humana ou que não vai querer estar com o tutor por todo o tempo. Cães são animais gregários e por conviverem conosco vão querer nos acompanhar SIM!. Isto é um cachorro! Entretanto, refiro-me ao fato do animal não ser dependente, não ser um cão que não saiba lidar com os momentos em que precisamos ir trabalhar ou queremos assistir um filme com o namorado à sós no quarto, ou simplesmente, quando precisamos que eles permaneçam em outro ambiente diverso do que estamos.

Se acompanharem uma de minhas aulas na minha Classe para Cachorros, poderão observar meus cães relaxados, em espera, e até mesmo dormindo. Mesmo que tenha um cão latindo durante a aula, ou 04 cães brincando em meio a 08 humanos (tutores), como acontece nas aulas em grupo.

Eles não estão tristes ou com medo de sofrerem represálias, não! Mas eles estão apresentando um comportamento do qual foram ensinados e preparados a apresentar. Existem algumas regras de convivência que estipulo com os meus e com os meus alunos, e estão nelas parte da receita para terem cães equilibrados. Os comportamentos:
  • Chorar ou latir pedindo atenção,
  • Arranhar portas,
  • saltar sobre pessoas ou coisas,
  • entre outros, que não são desejados e que se relacionam a comportamentos ansiosos,
Não são atendidos por mim, ou seja, são ignorados. Se um cão quiser passar por uma porta ou receber carinho e atenção, iniciar uma brincadeira, sair para o passeio, entre outras tantas coisas, antes ele terá que aprensentar um comportamento desejado que, no caso, será um comportamento que envolva autocontrole (controle do próprio cão sobre si e não do humano envolvido) que pode ser:
  • sentar,
  • deitar,
  • estar calmo,
Oferecendo um destes comportamentos, meus cães e alunos serão atendidos. Ao fazer isto, estou reforçando, ou seja, estou oferecendo um "petisco" para o cão e mantendo o comportamento desejado (equilibrado) ativo.

Voltando ao exemplo dos meus cães:
Quando verem meus cães esperando calmamente em minhas aulas (por exemplo), tenham certeza que se eles podessem estariam fazendo "cachorrices", afinal, aquele ambiente (minha Classe para Cachorros), na concepção deles é parte da nossa residência mas, ocorre que eles sabem que para terem a liberdade e poderem sair do exercício de FICA ou do cômodo onde ficam separados por uma daquelas "porteirinhas" portáteis para cães terão, antes, que estarem calmos. Aliados a isso, quando estão ali, não se sentem punidos ou que seus "mundos acabaram", eles simplesmente sabem que mais cedo ou mais tarde, no momento correto, irão sair de lá e poderão correr, brincar, ficarem comigo e ou fazer um belo passeio. É apenas uma questão de saberem lidar com as situações rotineiras do cotidiano humano, no qual estão, inquestionávelmente, inseridos.

Bons treinos!
Emmanuelle Moraes







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