25 de dez de 2013

Interação entre cães e crianças


Circula pelas redes sociais imagens de crianças, bebês e cães interagindo com muita “intimidade”. Crianças com as cabeças próximas a bocas de cães e abraços efusivos. Junto de tais imagens, mensagem que insinuam que: quando cães e crianças são criados juntos e com amor a relação será confiável.

Ocorre que nada disso é verdade e isso tudo se trata, mais uma vez, de humanização de cães. Cães não são humanos e não possuem valores morais assim como nós. Embora sejam amados por nós, demostrem muito apego e afeição, ainda assim são apenas cães.

Muito do que é considerado carinho por um humano não é para um cão ou não é naquele momento. Um afago na cabeça de um cão pode ser intimidador ou incômodo do ponto de vista daquele que recebe, e muitas vezes o carinho vem de um estranho. Até quando o comportamento natural da espécie animal que mais convive com os humanos será incompreendido pela maioria esmagadora de nós?

É costumeiro a compra\adoção de cães para conviverem com crianças. E muitos são adquiridos para serem, praticamente, brinquedos ou “distração” das mesmas. O absurdo se firma quando os cuidados dos animais são delegados as crianças por seus pais. Delegar responsabilidade a quem não as tem por incapacidade decorrente da imaturidade, é um ato irresponsável de quem deveria ter.

Bebês e crianças pequenas ao tocar os cães, muitas vezes o fazem com brutalidade, machucando e incomodando os animais. Ao cão, resta defender-se daquilo que o intimida ou machuca, e a maneira como resolvem os seus conflitos são mal interpretados pelos humanos. Quando um cão morde uma criança ou uma pessoa, é considerado como “traiçoeiro” ou "imprevisível", quando na verdade foram vítimas de abusos de toda sorte. Dedos nos olhos, puxões nos pêlos e rabos, gritos e tapas, monta e esticões na guia são alguns exemplos das formas como os “pequenos humanos” interagem.

Aos adultos, pais de crianças e tutores de cães:

  • Aprenda sobre comportamento canino antes mesmo de ter um cão;
  • Aprenda sobre os sinais de calma e linguagem corporal para compreender, de fato, o que o cão está sentindo e expressando no momento das interações;
  • Eduque o seu cão com técnicas positivas e fuja de “profissionais” que utilizam aversivos;
  • Não delegue os cuidados do seu cão aos seus filhos. A responsabilidade é sua! Mas ensine sobre os cuidados que os cães devem receber, bem como, a tratá-los com amorosidade;
  • Não permita que uma criança segure um filhote no colo. Você permitiria que outra criança segurasse o seu filho?
  • Ensine ao seu filho a maneira correta de interagir com os cães. Não permita que puxe os pelos, puxe o rabo ou orelhas, nem coloque o dedos nos olhos. Isso machuca e intimida os cães.
  • Não permita que uma criança segure a guia sozinha. O cão pode fugir ou ser arrastado por ela, colocando a vida dele em risco, machucando e traumatizando-o.
  • Respeite os momentos de descanso dos cães, e não os perturbe enquanto descansam;
  • Os cães não são brinquedos e não devem ser comprados\adotados por vontade das crianças. Esta é uma decisão que cabe a você, e analise se possui tempo para educar um cão e suprir todas as necessidades que eles possuem (passeio, interação social, treino e educação, higiêne, cuidados médicos e convívio na parte interna da casa;
Você é o melhor exemplo para o seu filho, ensine-o a respeitar os animais!

Emmanuelle Moraes - Educadora Canina responsável pela Cão de Casa Educação Canina

Postar um comentário