31 de ago de 2011

Medo de Carinho?


Tenho recebido alguns pedidos de orientação de tutores de cães dos mais variados cantos do país. Nem sempre posso orientar por aqui, mas existem casos que acabo priorizando. Em face disto, resolvi criar uma sessão aqui no blog que irá se chamar: "Dúvida de Amigo", que é inspirada na sessão do Blog Mãe de Cachorro, do participo colaboradora fixa.
Para inaugurar esta sessão escolhi a “Dúvida de Amigo” do Nisargan do site Didgeridoo Aumkar. Eu não o conheço pessoalmente, mas já ganhei de presente do meu pai um Didgeridoo do querido Nisargan, e posso recomendar, pois é show!
Abaixo, segue o relato da situação que ele tem vivenciado com a Ananda, uma cadela que sua família adotou já há alguns anos.

“Oi Emmanuelle,
Grato pela disponibilidade.
Não sei o histórico anterior da Ananda, a cadela de rua que pegamos há uns 3 ou 4 anos após uma castração coletiva que aconteceu aqui em São Francisco Xavier. Como não tinha quem fizesse os cuidados pós cirúrgicos, ficamos com ela. Na castração, foi constatado que ela estava grávida, e provavelmente aquela tinha sido a sua primeira gravidez. E ela estava super deprimida, mesmo...
Hoje ela está feliz, à vontade, dando-se muito bem com suas duas companheiras que ela brinca muito, as cadelas Terra e Gaia. Essas duas são amorosas e adoram receber carinho. A Ananda fica só olhando a gente brincar com a Terra e a Gaia, sempre a uma distância que lhe permite fugir sem ser pega, caso a gente se aproxime. Isso acontece com todo o mundo que se aproxima dela, com exceção de crianças. Mas, se a gente está abaixado, ela permite uma aproximação maior. Já conseguimos fazer carinho nela quando estávamos abaixados, e dá para perceber que ela gosta. Mas conseguir isso é raríssimo.
A impressão que dá é que ela tem medo de ser pega. E ela é muito inteligente, e jamais se posiciona de maneira que ela não tenha saída.
Além de não nos dar o prazer de lhe darmos carinho, quando realmente precisamos pegá-la para tratar de berne (moramos em um sítio) e tirar carapatos, demora dias até conseguirmos armar uma emboscada de modo que consigamos pegá-la.
Teve uma vez que ela precisou ficar presa por uns 4 dias, pois estava tomando antibiótico. Como ela sabia que não tinha como escapar, ela aceitava os carinhos e os recebia bem. Achei que ela ia se acostumar, mas foi só soltar para voltar ao mesmo padrão de sempre.
A tratamos muito bem, falamos com ela, mandamos beijinhos, mas ela continua mantendo distância, hoje uma distância menor que antes, mas ainda assim...
O que eu gostaria: que ela deixasse de ter medo de ser maltratada, pois parece que é isso o que ela sente.
Tem alguma coisa que possamos fazer para melhorar isso?
Gratidão e admiração,
Nisargan”
                   Didgeridoo Aumkar
            um instrumento de meditação
                www.didgeridoo.com.br

Resposta: Nisargan, embora eu esteja distante e, por aqui não é possível fazer a leitura da “linguagem corporal” da Ananda, existem algumas dicas que eu posso te passar e que acredito que vá melhorar a relação de vocês, tornando ela mais confiante e criando uma associação positiva ao toque/carinho da família. Segue:

Primeiro, identifique tipos de petiscos que a Ananda goste muito. Por exemplo: cubinhos de frango, tirinhas de fígado, bolacha integral, pedaços de pão de queijo, bifinhos específicos para cães...
O importante é que seja algo que a Ananda goste muito!
Sugiro o seguinte exercício:
Pegue alguns pedaços do "petisco eleito" e sente-se no chão, de lado para a Ananda. Não olhe diretamente nos olhos dela, e mantenha o olhar direcionado para baixo. Chame a Ananda e estique o braço com o pedaço da guloseima na palma da mão aberta. Deixe que ela se aproxime, que coma, e saia livremente.
Depois, repita o exercício por mais algumas vezes, em média 5, ou enquanto ela manter interesse na comida.
Comece a praticar este exercício todos os dias. Treine enquanto existir interesse da Ananda em comer os petiscos. 
Jamais vá em direção a ela! Deixe que ela se aproxime, e que afaste quando bem desejar.
Caso, no início, ela tenha receio de ir até a sua mão pegar a comida, poderá jogar os pedaços próximo a você e permanecer como na orientação acima.
A idéia é que ela crie uma associação positiva com a sua proximidade e que não se sinta intimidada ou ameaçada a ser pega.
Com o tempo ela irá se aproximar mais, gradualmente.
Deixo aqui um link para o Blog Mãe de Cachorro, onde respondia dúvida de uma leitor e que, embora não seja o mesmo caso, poderá complementar a explicação e entendimento do caso. 
Bons treinos e aguardo um retorno aqui no post.
Amor e Luz! 
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