4 de fev de 2011

A evolução do Lobo para o Cão Doméstico


A relação entre o homem e o cão doméstico é algo que encanta, e hoje o cão passou de um simples animal de trabalho para um membro da família. Sabe-se que o lobo é o ancestral vivo mais próximo do cão,mas o tempo e o local onde ocorreu a domesticação ainda é assunto controverso e tema de muito estudo.
Foi no período mesolítico que o homem passou a agrupar-se em acampamentos, a armazenar alimentos, a dominar o fogo, e com isso, passou a gerar uma espécie de “lixo” que serviria como alimento para outros animais. Nesse período existiu uma espécie de lobo (que é o ancestral comum do cão doméstico e do lobo atual), que no momento em que o homem passou a viver em acampamentos, mesmo que sazonais, passou a ter interesse na permanência próxima de tais agrupamentos humanos, vez que dali obtinham alimentos de forma facilitada.
Os canídeos que possuíam um flightdistance menor começaram a se alimentar dos resíduos gerados pelos acampamentos humanos. Além da alimentação facilitada, esses lobos menos temerosos passaram a procriar uns com os outros, e os seus descendentes a terem maior chance de sobrevivência em relação aos demais. Desta forma, ocorreu uma seleção natural de lobos que se sentiam mais à vontade próximos aos humanos.
Então, a população de lobos passou a dividir-se entre: aqueles que possuíam um flightdistance menor (sentindo-se mais à vontade próximos aos humanos), e aqueles que eram mais nervosos vez que possuíam um flightdistance maior e continuavam a caçar e manter-se distantes dos humanos.
Não só os lobos “menos medrosos” passaram a gerar descendentes que se sentiam mais à vontade próximo aos humanos, como também começaram a mudar algumas de suas características decorrentes de seu novo nicho. Como não era necessário caçar animais como única fonte de alimentação, mas sim alimentar-se das “lixeiras humanas”, algumas características físicas também passaram a ser modificadas decorrentes de suas novas necessidades. Assim, começou a surgir o cão doméstico, em menor tamanho, e sem necessidade de dentes tão grandes.
Anteriormente, falava-se que os cães teriam sido domesticados quando o homem passou a pegar alguns dos filhotes de lobos e os trazê-los para conviver consigo nos acampamentos. Mas referida explicação já é um tanto derrogada, e embora isso possa ter ocorrido, não seria capaz de causar a domesticação tal como é hoje, face que naquela época não existiam formas de conter os lobos como é necessário fazer quando estes crescem e entram na fase reprodutiva.
Além da seleção natural como anteriormente elencado, a seleção artificial também ocorreu para a formação do cão doméstico tal como o temos hoje. Possivelmente o homem passou a pegar alguns exemplares do “animal de transição” (que já não era mais o lobo, nem era ainda o cão doméstico) e permitir que convivessem consigo para ser utilizado, ora como alimento, ora como vestimenta. E decorrente deste convívio, ao perceber as características interessantes que possuíam para a caça, companhia e guarda, passou-se a procriar animais com propósitos pré-determinados.
Desta forma, tanto a seleção natural como a seleção artificial foram necessárias para originar o cão doméstico como o temos hoje.


Emmanuelle Moraes
Educadora Canina
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