16 de nov de 2010

Agradeço a "nota baixa"!!!


Quando cheia de alegria e entusiasmo resolvi tornar-me treinadora de cães, e ao ir fazer o curso de formação deparei-me com verdadeiras técnicas de tortura, deu-se início a um período de muita confusão interna em minha vida!!
Como nota de conclusão de curso eu tirei 6. Essa nota era o mínimo aceitável para passar na prova e estar formada. Por muito tempo senti vergonha da referida média, e quando lembrava o motivo, ainda mais ficava confusa.
Foi por recusar-me treinar o comando “FICA” com o cão que me fora disponibilizado para a formação, que ganhei a nota regular e muita frustração. Mas os problemas não findaram ai. Recusei-me a dar um tranco em uma alegre labrador de um ano, com o colar de ganchos. Como podia eu, apaixonada por cães, fincar-lhe ganchos no pescoço para ensinar o animal a estar junto a mim?
Passei dois dias sem olhar na cara do meu professor, sem saber o que fazer, mesmo estando hospedada na escola de treinamento dele. Lá também pude escutar histórias de “excelentes adestradores” que já chegaram a quebrar a traqueia de um aluno, ao ensinar referido comando. Aprendi a enforcar um cachorro sempre que ele não fazia o que eu queria, amparada em falta de conhecimento específico.
Mas qualquer treinador que tenha iniciado a carreira pelo método convencional/tradicional, vai possuir histórias semelhantes a minha.
Na época retornei para minha cidade, mas não treinei meu cão. Até tentei por várias vezes, mas desistia! Me perguntava: "Como pode uma adestradora de cães não ter o próprio cão adestrado?
O Nero sempre foi um verdadeiro cão travesso e alegre, e hoje agradeço muito o meu relapso em não tê-lo submetido a tais técnicas por completo. A nota que antes me deixava frustrada, hoje é motivo de ORGULHO PRÓPRIO!
O que eu sentia durante os treinos era uma mescla de culpa e raiva
Hoje sei que a culpa era decorrente da minha “boa essência” e a raiva, da minha falta de conhecimento sobre comportamento canino, conteúdo pouco ou nada ofertado nos cursos de formação tradicional.
Parei de treinar, abandonei a profissão e frustrada, fui dedicar-me a graduação de direito. Felizmente conheci um especialista em comportamento, o Diogo Cesar, que me indicou o blog de uma treinadora portuguesa, a Claudia Estanislau, que "iria mudar a minha vida"!!! Depois de conhecer o trabalho dela, e aprender com ele, o “sonho de menina” voltou, e abandonei a carreira jurídica para, enfim, seguir minha "Missão Pessoal". Mas agora de forma positiva, amparado em ciência da aprendizagem e no respeito e amor aos cães. Aqui, você confere um artigo que fala sobre o treino positivo x o treino convencional. Vale Conferir!!
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