21 de out de 2010

Francisco



É com o coração apertado, e os olhos inchados de tanto chorar que inicio esse texto, onde quero contar como foram os dez meses de convivência com meu filho Francisco.
Logo após perder duas gatinhas minha com complicações decorrente do pós – cirurgia de castração, ainda abalada com a perda recebo um telefonema, onde a esposa de um vereador de Rondonópolis/MT metido a ambientalista, fala:
“Oi, você que é da ONG dos animais? É que uma gata deu cria aqui na minha casa e se vocês não virem pegar o único filhote dela eu vou mandar para o CCZ (órgão que em Rondonópolis/MT só mata animais, ao invés de fazer o que é devido)”
Eu, com raiva da atitude dela, e pior ainda, por ser mais uma das tantas pessoas que me ligavam com a mesma ameaça emocional, mas ainda muito abalada com a perda das minhas meninas, perguntei:
“É macho ou fêmea? Que cor é?”
E a safada respondeu: “É preta, querida! Uma fêmea!”
Resultado, lá fui eu adotar aquela gatinha. Chegando lá, notei que não era menina, mas um lindo menino preto, peludo e filho de uma mãe inteiramente branca.
Dois dias em casa e ele adoeceu. Já em pânico de sofrer com mais um gato, pensando que “não levo jeito para a coisa”, além de veterinário apelei para São Francisco e prometi que se ele me ajuda-se a não perder o menino ele se chamaria Francisco.
Meu Francisco sarou, cresceu, ficou lindo e forte!
Francisco nasceu no dia 25 de dezembro, capricorniano como a mãe. Era tão comunicativo que me avisa com sons até quando ia fazer coco. Pedia para abrir as portas miando, pedia comida, o tipo de comida, e me dava muito, mas muito carinho. Dormia nos meus braços, na minha barriga, no meu pescoço...

Logo nos mudamos para dois mil quilômetros de distância. Do Mato Grosso fomos morar em Santa Catarina na ilha da Magia. Foi na viajem que o Francisco realmente “colou” em mim. Dali em diante passamos a dormir juntos, e ele virou meu xodó.
Sempre aventureiro, escapava, ia para a rua, mas era só eu chamar ele no portão (e os vizinhos me acharem uma louca) que ele voltava para a Mamãe dele.
Sabe aqueles caras bonzinhos, amigo de tooooodo mundo, seja lá qual espécie for? Então, era o Francisco! Ele ficou tão ligado nos cães que brincava de mordê-los. Até o Nero, que não era dos mais simpáticos, e um tanto ranzinza, ele foi capaz de dobrar ao ponto de dormir junto na mesma cama/sofá e encostadinho. Ele adorava o Tio Nero!
Por outro lado, a excessiva sociabilidade dele com cães me deixava um pouco apreensiva, pois uma vez passou um cão de rua na frente de casa e ele foi correndo acompanhar ele. Lá foi eu pular muro, louca de medo, e pegar ele antes que o cachorro olhasse para trás.
Mas hoje pela manhã, era umas 7 horas quando ele me exigiu que a porta fosse aberta para ele dar uma volta. Na hora do almoço ele não apareceu como de costume. Foi quando a vizinha de fundo me chamou para falar que um cachorro que ele cuida na rua de trás, três casas abaixo da minha, tinha pegado meu filho.
Desnorteada comecei a gritar o Francisco na esperança dele aparecer, mas ele não veio como de costume. Chorando, corri até a casa de uma amiga que é veterinária e que ama o que faz, e pedi que fosse comigo ver ele, e sei lá, vai que a vizinha estava errada e ele não estava morto, e ainda era possível fazer algo...
Corremos para lá, mas era meu menino. Pescoço e coluna quebrados e muitas mordidas pelo corpo. Já estava “durinho” o que demonstra que já fazia horas. Mas como escapar de um Bull Terrier?
Porque ele foi entrar lá na casa do cachorro se tinha tanta mata para ele fuçar? Talvez ele tenha ido todo amistoso, como quem quer fazer mais um amigo, com o corpinho esfregando no cão e...
Não sei! Só sei que deve ter doido muito!
Meu bebê!!!
O que é insuportável é ir por a comida deles e ele não aparecer. Estar aqui no computador e ele não estar querendo deitar no meu teclado. Não escutar aquele ronronado tão alto que mais parece um motor. E para dormir? O Francisco dormia entre meus braços, os quais muitas vezes me dava câimbra de ficar parado para não acordar ele, estilo ursinho. Hoje ele não vem! Hoje a noite é longa!!
Quase como uma louca ainda espero que ele apareça e que não tenha sido ele aquele gatinho “estrupiado” no chão. Eu não sei do que seria capaz para que isso fosse verdade.
Só sei que ele não está aqui!
* é possível ter erros na digitação, mas na real? Não estou nem um pouco afim de reler o que escrevi. Já basta!!
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